Defesa de Luigi Mangione solicita que julgamento federal previsto para setembro seja transferido para janeiro, alegando necessidade de preparação simultânea para outro júri em Nova York
Luigi Mangione compareceu a uma audiência em um tribunal federal nesta quarta-feira, para pedir o adiamento do processo que pode resultar em prisão perpétua.
A defesa solicita que o julgamento federal, cuja seleção do júri está marcada para 8 de setembro, seja transferido para janeiro, por haver sobreposição com um julgamento estadual em Nova York, agendado para 8 de junho.
Os advogados afirmam que a preparação simultânea para dois processos complexos prejudica a defesa, escrevendo, em documento enviado à Justiça, “Mangione precisa se preparar para dois julgamentos complexos e graves ao mesmo tempo”., conforme informação divulgada pelo g1
Pedido de adiamento e argumentos da defesa
Os advogados de Mangione pedem que o julgamento federal seja adiado de setembro para janeiro, alegando que a defesa terá que se dividir entre dois casos, federal e estadual.
Segundo a defesa, a proximidade das datas compromete a preparação adequada, e a transferência para janeiro permitiria coordenação entre equipes e tempo para análise de provas e testemunhas.
Posição da promotoria e cronograma processual
Promotores federais de Manhattan se opuseram ao pedido de adiamento, mas informaram estar abertos a ajustar o cronograma para o envio e a análise de questionários destinados a cerca de 800 potenciais jurados.
Esses questionários devem começar a ser distribuídos em 29 de junho, e a promotoria sinalizou flexibilidade na logística, ainda que mantenha a data de seleção do júri para 8 de setembro.
Acusações, antecedentes do caso e penas em jogo
Mangione está preso desde a sua detenção na Pensilvânia, cinco dias após o assassinato de Brian Thompson, executivo da UnitedHealthcare, ocorrido em 4 de dezembro de 2024, em frente a um hotel Hilton, na região central de Manhattan.
O processo federal se baseia em acusações de perseguição da vítima que resultou em sua morte, categoria usada pela Justiça americana quando há premeditação com cruzamento de fronteiras estaduais.
Inicialmente, havia a possibilidade de pena de morte no caso federal, mas essa hipótese foi descartada em janeiro, quando a juíza Margaret Garnett retirou a acusação federal de homicídio, por considerá-la incompatível com as duas acusações de perseguição que permanecem no caso.
Mesmo sem a pena de morte, Mangione ainda pode ser condenado à prisão perpétua no processo federal, enquanto no processo estadual a pena pode variar de 25 anos até prisão perpétua.
Reações públicas e próximos passos
O caso provocou forte repercussão, com autoridades condenando o crime, e parte do público reagindo de forma dividida, tratando Mangione como um símbolo de protesto contra os altos custos da saúde e práticas das seguradoras.
Nos próximos dias, o tribunal federal avaliará o pedido de adiamento e possíveis ajustes no cronograma de seleção de jurados, enquanto o processo estadual mantém a data de início marcada para 8 de junho.
