Bally Bagayoko enfrenta acusações e circulação de fake news após vitória em primeiro turno, com queixas contra emissora, investigações e apoio do governo francês
Bally Bagayoko é o prefeito eleito em primeiro turno de Saint-Denis, cidade ao norte de Paris com 150 mil habitantes, e passou a ser alvo de ataques racistas na mídia nos últimos dias.
As controvérsias envolveram programas da CNews e declarações públicas que motivaram queixas de organizações antirracismo e pedidos de investigação junto à Arcom, a autoridade do audiovisual.
O caso gerou manifestações de apoio do governo francês e debate sobre discurso público e responsabilidade das emissoras, conforme informação divulgada pelo g1.
Quem é Bally Bagayoko
Bally Bagayoko nasceu em Saint-Denis, é filho de pais malineses, e construiu sua trajetória política na própria cidade, que é a segunda mais populosa da região da Île-de-France depois de Paris.
Ele foi eleito prefeito em primeiro turno, em uma vitória que chamou atenção nacional, e apresentou propostas que incluíam o desarmamento progressivo da polícia municipal, medida que provocou controvérsias e interpretações diversas.
As acusações e a polêmica na CNews
Em programação da CNews, um apresentador questionou se o prefeito estaria “tentando ultrapassar os limites”, e um psicólogo convidado respondeu com a frase: “Há certamente alguma verdade nisso. Agora, é importante lembrar que o Homo sapiens é um mamífero social e pertence à família dos grandes macacos. Consequentemente, em toda comunidade, em toda tribo – nossos ancestrais caçadores-coletores viviam em tribos – existe um líder cujo papel é estabelecer sua autoridade”.
As declarações geraram críticas imediatas de parlamentares e de organizações, que classificaram o episódio como racismo descarado, e motivaram queixas ao MRAP e à SOS Racismo, que denunciaram normalização de padrões racistas.
Reações do Estado, das organizações e da emissora
O governo francês manifestou apoio ao prefeito, com o ministro do Interior afirmando, na rádio RTL, “Considero esses ataques desprezíveis (…). Estamos na França, é a República Francesa que reconhece todos os seus filhos, independentemente de sua origem”.
A ministra da Cultura descreveu as falas como “ataques vis e inaceitáveis”. Enquanto isso, a CNews, que tem participação de audiência de “3% do total”, emitiu nota dizendo que “nega formalmente que quaisquer comentários racistas tenham sido feitos” e alegou que trechos foram “truncados e retirados de seu contexto”.
Consequências e próximos passos
A Arcom informou que investigará as denúncias apresentadas por MRAP e SOS Racismo, e o MRAP anunciou que também apresentaria queixa contra a CNews, citando a “preocupante normalização de um discurso que reativa padrões racistas profundamente enraizados”.
Bagayoko convocou um encontro de cidadãos para “demonstrar nossa forte oposição ao racismo, à discriminação e ao ódio ao próximo, contra a islamofobia, o antissemitismo, a extrema direita e a xenofobia”, buscando mobilizar apoio comunitário diante das ataques e da circulação de fake news.
O caso segue em desenvolvimento, envolvendo debates sobre liberdade de expressão, responsabilidade das mídias, proteção contra discursos racistas e o futuro das políticas locais propostas pelo prefeito em Saint-Denis.
