Contradições, celular resetado e imagens que mostram ação junto ao copo levam a indiciamento por envenenamento em açaí em Ribeirão Preto

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Investigação aponta inconsistências em depoimentos, buscas por advogado, e laudo que detectou terbufós no copo, reforçando suspeita de tentativa de homicídio

Uma jovem de 26 anos foi indiciada por tentativa de homicídio após contradições em depoimentos, imagens de câmeras e perícia que detectou terbufós em um copo de açaí.

O homem que passou mal, de 27 anos, chegou a ser internado na UTI, mas recebeu alta e está bem, depois de tratamento hospitalar.

Todas essas informações constam no inquérito, conforme informação divulgada pelo g1.

O indiciamento e as contradições

Segundo o inquérito, a investigação concentrou suspeitas em contradições entre o que foi relatado pela suspeita e o que foi apurado nas imagens e nos registros do pedido do produto. A jovem, identificada nos documentos como Larissa de Souza, declarou que adicionou leite condensado no copo de açaí que o namorado consumiu, enquanto o print do pedido mostra que todos os itens vinham misturados no mesmo copo.

Imagens de câmeras de segurança mostram a mulher manipulando o copo dentro do carro, e em seguida descartando um saquinho plástico em via pública. A polícia registrou que, minutos depois, o copo foi recolhido pela própria mulher antes do consumo pelo parceiro.

O jovem, Adenilson Ferreira Parente, disse em depoimento que pegou o copo lacrado na geladeira e que não haveria motivo para um crime, pois não há seguros de vida ou bens que beneficiem a companheira.

Provas técnicas e buscas no celular

O laudo do IML confirmou a presença de terbufós, princípio ativo presente no chamado chumbinho, no fundo do copo de açaí. As autoridades descartaram a hipótese de contaminação no estabelecimento onde o produto foi comprado.

A perícia no celular da suspeita revelou que o aparelho foi resetado logo depois que o caso veio à tona. Mesmo assim, foram encontradas buscas na internet por termos como “advogado criminalista Ribeirão Preto” e “melhor advogado criminalista de Ribeirão Preto”, além de interesse em reportagens sobre o caso.

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a orientação dada pela suspeita ao namorado, para que ele fosse a uma Unidade de Pronto Atendimento para fazer uma “limpeza estomacal” quando ele começou a apresentar tontura e sonolência, o que, para a polícia, sugere conhecimento prévio da presença de veneno.

Pedidos do Ministério Público e próximos passos

O Ministério Público devolveu o inquérito à polícia e solicitou três novos depoimentos, da vítima e de duas funcionárias do estabelecimento, sem, por enquanto, pedir a prisão da indiciada. Aos funcionários, o MP pede que descrevam detalhadamente o material do lacre e o local exato de aplicação, para avaliar se seria possível abrir e restaurar o lacre em casa sem deixar vestígios.

Ao solicitar novo depoimento de Adenilson, o MP requer que ele “descreva minuciosamente como foi aberto o lacre e como estava o copo de açaí antes de ser consumido”, para esclarecer se houve rompimento do selo ou outros sinais de adulteração.

As novas oitivas ainda não têm data marcada. A defesa da jovem e a defesa do rapaz, que segundo o inquérito são representados pelo mesmo advogado, não haviam retornado aos pedidos de contato até a última atualização do caso.

O caso segue sob investigação, com foco em confirmar se houve intenção de matar e em identificar como e onde o produto foi contaminado, enquanto a vítima se recupera e aguarda prestar novo depoimento.

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