Depois do burnout, larguei 20 anos em TI, vendi tudo e passei dois anos viajando pelo Brasil para dançar forró e recuperar minha saúde mental

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Priscila, 42 anos, deixou carreira estável em tecnologia após esgotamento, organizou finanças, seguiu calendário de festivais e percorre o país entre trilhas e forró

Priscila Albuquerque, 42 anos, optou por interromper a rotina profissional depois de uma crise de burnout, e decidiu usar pelo menos dois anos para viajar, fazer trilhas e dançar forró, atividades que lhe trazem bem-estar.

Para viabilizar a mudança, ela planejou as finanças, vendeu o apartamento e os móveis, pediu afastamento sem remuneração e redefiniu meios de transporte para reduzir custos, sempre atenta à segurança.

O relato da jornada, que começou em junho do ano passado e inclui festivais e destinos do interior ao litoral, vem acompanhado de dados sobre benefícios por burnout, conforme informação divulgada pelo g1.

Como surgiu a decisão e o planejamento financeiro

Priscila conta que já tinha vontade de conhecer o Brasil e o mundo, porém o trabalho a mantinha presa, e que a mudança de gestão levou ao desgaste que culminou no burnout.

Ela relata, em suas palavras, “Tive que me organizar: vendi o apartamento, vendi todos os meus móveis, levei as coisas que eu ainda guardo para a casa da minha mãe e aí eu comecei a viajar”, e ressalta que a saída não foi impulsiva, mas fruto de planejamento.

Forró como acolhimento e roteiro de viagem

Com família nordestina, o forró acompanhou Priscila desde a infância, e ela diz que a dança virou um lugar de conforto e de sociabilidade, por ser um ambiente onde se faz amizade mesmo chegando sozinha.

Ela passou por mais de uma dezena de festivais, citando eventos como Nata Forrozeira, Buraco do Tatu, Malagueta e Beijo Me Liga, e destinos conhecidos como Itaúnas, Caraíva e Ilhabela, montando a viagem em função do calendário de festas.

Transporte, segurança e ajustes na estrada

No começo, Priscila viajou de carro alugado, mas percebeu o alto custo e depois optou por ônibus para reduzir despesas, mostrando como ajustar a logística é parte do planejamento para quem quer dar um tempo no trabalho.

Ela também destaca estratégias de segurança, como evitar chegar à cidade à noite e avaliar sempre o meio de transporte, mencionando o cuidado extra que mulheres precisam ter em viagens e em grandes centros urbanos.

Burnout em números e reflexões sobre o retorno

Em 2024, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) concedeu um recorde de 3.359 benefícios a trabalhadores diagnosticados com síndrome de burnout, quase três vezes aqueles concedidos no ano anterior (1.153), segundo dados disponibilizados pela autarquia via Lei de Acesso à Informação (LAI), informação que ilustra o crescimento dos registros da síndrome.

Priscila buscou acompanhamento psicológico e psiquiátrico antes de pedir o afastamento, e hoje avalia se voltará à área de tecnologia ou se buscará um trabalho mais alinhado ao novo momento de vida.

Sobre quem pensa em seguir um caminho parecido, ela recomenda planejamento, cuidado financeiro e viver o presente, em suas palavras, “se planeje, mas viva o agora”, lembrando que parar para se observar pode ser um antídoto para a vida corrida.

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