Banco Central aponta aumento significativo das dívidas financeiras no Brasil e avalia desafios para controle do superendividamento
O Brasil enfrenta um crescimento preocupante do superendividamento, que já atinge 117 milhões de pessoas com débitos em instituições financeiras.
Ao mesmo tempo, 130 milhões de brasileiros possuem limite de crédito disponível, o que representa cerca de 74% da população que possui relacionamento bancário.
Essa avaliação foi apresentada no Relatório de Cidadania Financeira divulgado pelo Banco Central em 13 de maio de 2024, reforçando a necessidade de políticas mais efetivas para reverter esse cenário.
Conforme informação divulgada pelo g1, o aumento do endividamento ocorre em um momento em que o governo estuda medidas para facilitar a renegociação das dívidas, sobretudo em ano eleitoral.
Crescimento expressivo do crédito sem garantia aumenta risco de inadimplência
Nos últimos anos, o Brasil presenciou uma expansão considerável das modalidades de crédito sem garantia, que geralmente comportam juros mais elevados e maior risco para os consumidores.
Segundo o Banco Central, o número de brasileiros com empréstimos pessoais aumentou 214% desde 2020, chegando a 41,7 milhões de clientes. Além disso, as dívidas no cartão de crédito, seja no rotativo ou parcelado, cresceram 55% no mesmo período, atingindo cerca de 53 milhões de pessoas.
Modalidades como cheque especial e crédito consignado também registraram crescimento, com aproximadamente 24 milhões de usuários cada, representando um aumento de cerca de 20%. Já os financiamentos imobiliários e automotivos, garantidos por alienação fiduciária, totalizam pouco menos de 10 milhões de clientes em cada segmento, com crescimento de 23% no imobiliário e 3% no automotivo.
Governo prepara programa para unificação e desconto de dívidas em ano eleitoral
Em resposta ao cenário preocupante, o governo federal planeja medidas que unifiquem as dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal em um único refinanciamento.
Esse programa deve oferecer descontos que variam de 30% a 80% nos juros, podendo chegar a 90% com a concordância das instituições financeiras.
Outra proposta em análise é permitir o uso de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para pagamento das dívidas, com limites para proteger o patrimônio acumulado dos trabalhadores.
Essas medidas têm por objetivo facilitar a resolução das pendências financeiras dos brasileiros e diminuir o impacto do superendividamento no conjunto da população.
Impactos psicológicos graves do superendividamento afetam a qualidade de vida
O Banco Central destaca que o endividamento excessivo provoca um impacto psicológico profundo e abrangente na vida dos consumidores.
Estudos indicam que o problema está associado a altos índices de estresse, ansiedade e depressão entre os devedores. A constante preocupação com as contas e a sensação de impotência diante das dívidas contribuem para problemas de sono, baixa autoestima e conflitos familiares.
A facilidade de acesso ao crédito, sem a oferta adequada e responsável baseada no perfil do cliente, junto à falta de educação financeira e proteção ao consumidor, agrava o superendividamento.
Assim, além de serem desafios econômicos, as dívidas geram efeitos negativos na saúde mental e nas relações pessoais, tornando imprescindível a adoção de políticas públicas eficazes.
